algumas peças que sobram

Tenho escrito

Quando era pequeno, sempre desmontava meus brinquedos.
(Não apenas os meus, mas também alguns da minha irmã e não apenas brinquedos, porque sempre que conseguia também desmontava algumas coisas da casa).

Quando desmontava as coisas, percebia que lá dentro existiam muitas pecinhas, muitas coisas que se encaixavam, outras eram soldadas, outras eram moldadas exatamente daquele jeito, e tinha algumas que eram parafusadas, as minhas preferidas, porque tinha menos risco de quebrar.

Mas quebrava. Os parafusos espanavam ou se perdiam, as junções plásticas quebravam, eu esquecia como encaixar alguma peça que acabou ficando fora e eu nem percebi. Era mais fácil para mim o processo de desmontar e descobrir do que o de remontar e unir as coisas. Foi assim com muitos rádios e carrinhos e controles remotos e até com as bonecas da minha irmã, que eu desmontava em membros e enfileirava, pernas para cá, braços para lá, cabeças do outro lado.

Quando comecei a estudar…

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Ela e eu

Tenho escrito em outra página, mas manterei o (nada) para conteúdos diversos.

Leiam:

Tenho escrito

Ela descobriu minha paixão como alguém descobre um botão em flor numa jardineira que está há tempos ali, na janela. Ela não acreditou que em meio a tantos desconhecidos, ela com tantos planos, eu com tantos pensamentos, ela não acreditou que poderia acontecer, que poderia ter descoberto ali, que um amor pudesse brotar assim, como brotou. Ela e eu. Amor.

Ela gosta de vestidos, tem vários. Eu digo que são as roupas mais confortáveis que existem. Ela brinca que queria viver nua. Eu não a recrimino, ver aquele corpo livre. Lençóis, cobertores e ela, se pudesse passaria meus dias assim. Aquela cama, aqueles cobertores, tão melhores com ela ali. Mas tenho um trabalho daqueles, não tenho a chance de viver apenas esse momento. Eu vou pra rua. Todos os dias a rua é difícil sem a ela. Prefiro nós. Prefiro ela e eu.

Em pouco tempo nos vimos subitamente contidos…

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Lembrança de Patna

Tudo era humilde em Patna:
torneiras secas,
cortinados tristes,
salas sonolentas.

Mas as flores de ervilha cheiravam com a violência
de um pássaro que dá todo o seu canto.

As ruas, modestas.
O campo, submisso:
as batatas pareciam apenas torrões mais duros.

As casas, simples,
as pessoas, tímidas.
Tudo era só bondade e pobreza.

Mas as flores de ervilha cheiravam com a violência
de uma cascata despenhada.

As flores de ervilha enchiam com o seu perfume toda a cidade,
penetravam no museu, animavam os velhos retratos,
dançavam pelas ruas, frescas e policromas,
alegravam o céu e a terra,
coroavam a tarde com seus ramos apaixonados.

As flores de ervilha mandavam mensagens
até o fundo do rio
para as afogadas, saudosas grandezas remotas de Patna.

Cecília Meireles: Poemas Escritos na Índia. 

Joni Mitchell – Love

 

Although I speak in tongues
Of men and angels
I’m just sounding brass
And tinkling cymbals without love

Love suffers long
Love is kind!
Enduring all things
Love has no evil in mind

If I had the gift of prophecy
And all the knowledge
And the faith to move the mountains
Even if I understood all of the mysteries–
If I didn’t have love
I’d be nothing

Love – never looks for love
Love’s not puffed up
Or envious
Or touchy
Because it rejoices in the truth
Not in iniquity
Love sees like a child sees

As a child I spoke as a child
I thought and I understood as a child
But when I became a woman
I put away childish things
And began to see through a glass darkly

Where, as a child, I saw it face to face
Now, I only know it in part
Fractions in me
Of faith and hope and love
And of these great three
Love’s the greatest beauty
Love
Love
Love

Se quebrar um c…

Se quebrar um copo ou xícara,
desses de estimação, favoritos,
trate de embrulhá-lo em qualquer jornal
e jogue fora,

e não olhe mais,
como fiz com todas as coisas tuas.

Assim não doerá.